Blastoyz decidiu quebrar o silêncio e trazer à tona uma realidade pouco discutida fora dos bastidores dos grandes festivais. Em um desabafo publicado nas redes sociais, o DJ e produtor compartilhou situações que, segundo ele, se repetem há anos em diferentes partes do mundo e revelam um problema estrutural dentro da cena eletrônica.
De acordo com o artista, alguns DJs evitam tocar depois de seus sets — não por questões técnicas, logísticas ou organizacionais, mas pelo impacto da energia entregue na pista. Para Blastoyz, esse tipo de postura distorce o propósito de um lineup e transforma algo que deveria ser estritamente profissional em uma disputa pessoal.
O produtor explica que, ao longo dos anos, enfrentou repetidas situações em que artistas se recusaram a assumir o horário seguinte ao seu. O motivo, segundo ele, nunca foi falta de tempo, problemas de estrutura ou falhas de produção, mas sim o receio de lidar com o nível de intensidade que seus sets costumam gerar. Esse comportamento, para Blastoyz, levanta questionamentos importantes sobre ego, ética e maturidade artística dentro da cena.

O episódio mais recente reforçou esse incômodo. Mesmo após confirmar seu horário com uma equipe de produção alinhada e respeitosa, a situação voltou a acontecer. Dias depois, o artista escalado para tocar após ele não confirmou sua participação e solicitou uma troca de horários, assumindo exatamente o slot que havia sido originalmente destinado a Blastoyz.
Diante desse cenário, o produtor optou por não entrar em conflitos. Em vez de insistir em uma solução improvisada, decidiu tocar em outro palco, preservando o tempo de sua equipe e a experiência do evento. Segundo ele, esse tipo de decisão acaba se tornando necessária quando certos comportamentos se repetem constantemente com os mesmos nomes da cena.
Para Blastoyz, o problema vai muito além de um simples horário de apresentação. Trata-se de uma cultura que, em vez de fortalecer a comunidade, acaba enfraquecendo artistas e o próprio espírito da música eletrônica. Ele questiona até quando alguns profissionais vão preferir competir entre si, em vez de colaborar e contribuir para o crescimento coletivo da cena.
O produtor também reforçou sua própria filosofia em relação aos palcos. Para ele, tocar antes ou depois de qualquer artista nunca foi um problema. Pelo contrário, dividir a pista, trocar energia e respeitar o fluxo natural da festa sempre fizeram parte da essência da cultura eletrônica. Na visão de Blastoyz, o foco deve estar no público, na música e na experiência compartilhada.
A publicação gerou forte repercussão na comunidade. Nos comentários, diversos artistas se manifestaram em apoio, compartilhando relatos semelhantes e reforçando a importância de colocar a cena acima do ego individual. As respostas indicam que esse tipo de situação é mais comum do que o público imagina e segue sendo um ponto sensível dentro da indústria.
Apesar do tom crítico, Blastoyz deixou claro que segue com uma postura positiva. Ele reafirmou seu compromisso com a música, com o público e com a energia que sempre levou aos palcos, mantendo seus shows confirmados e aberto a apresentações espontâneas, como já faz parte de sua trajetória.
O desabafo, mais do que uma crítica isolada, abriu espaço para um debate necessário sobre ética, convivência e maturidade artística nos bastidores dos festivais. Fica a reflexão levantada pelo próprio artista: evitar tocar depois de outro DJ é realmente uma escolha profissional — ou um reflexo de insegurança dentro da cena?
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